O Desporto e as Empresas

No desporto como nos negócios

Nos desporto, como nos negócios, o importante é concretizar os objectivos - vencer. No desporto, como nos negócios, a equipa que tem os melhores jogadores ganha se for bem treinada, se os seus jogadores forem bem integrados, motivados e, acima de tudo, se houver sintonia nas metas definidas. No desporto, como nos negócios, “compromisso” é a palavra-chave.

 

Num momento em que a expansão das Sociedades Anónimas Desportivas concretiza um novo paradigma na gestão dos clubes, colando-os à dimensão empresarial, o mundo dos negócios parece cada vez mais preocupado em explorar campos tradicionalmente valorizados no desporto: emoção, sacrifício, motivação e espírito de grupo.

 

É então possível aplicar o modelo de gestão de uma equipa de alto rendimento a uma estrutura empresarial ou às organizações em geral? Tomaz Morais acredita que sim e explica como. Nas linhas que se seguem, jogadores confundem-se com colaboradores, executivos ganham dimensão de treinadores, e as vitórias são, quer num caso quer noutro, o produto final do trabalho em equipa. Tudo isto sem esquecer um pressuposto: “Os líderes solitários estão condenados ao fracasso”.

 

No “país do não”, onde tudo é à priori impossível, o seleccionador nacional de rugby pede às empresas, nomeadamente a quem as lidera, que olhe para o caminho trilhado pelos “Lobos”: “Já chega de utilizar o argumento da falta de recursos para justificar o insucesso. Quem nos acompanhou nos últimos anos sabe as dificuldades que tivemos que enfrentar, mas ganhámos”.

 

Detalhar os constrangimentos económicos significa fixarmo-nos em apenas parte de uma conjuntura adversa muito mais alargada. Somam-se as vicissitudes de uma estrutura amadora, o baixo nível das competições internas, o reduzido número de praticantes, a bicefalia na distribuição geográfica da modalidade, e ainda limitações genéticas que obrigam os jogadores lusos a trabalharem o dobro dos seus adversários para alcançarem uma compleição física semelhante.

 

Neste quadro, em vez de procurar atenuantes, Tomaz encontra aditivos motivacionais. Na alta competição, como na gestão diária de uma estrutura empresarial, a coesão das equipas constrói-se transformando as adversidades em mais-valias, valorizando o papel das pessoas, mostrando-lhes que são elas que conferem dinâmica e sentido de vida aos projectos e às organizações.

 

 No desporto, como nos negócios, é preciso ter espírito de missão e conseguir transmiti-lo àqueles que connosco trabalham, fazendo-os acreditar nos nossos princípios e nas nossas convicções. No desporto, como nos negócios, a grande capacidade de um líder é-lhe dada pelo seu lado humano. No desporto, como nos negócios, o stress deve ser sinónimo de novas oportunidades.

 

As transformações operadas nas sociedades contemporâneas, associadas ao fenómeno da globalização, transformaram as empresas em verdadeiras equipas de alto rendimento. As noções de exigência, competitividade, concorrência ou superação, alteraram os paradigmas de “comando” e colocaram a gestão dos recursos humanos no centro das preocupações. Os modernos desafios apresentados aos executivos aproximaram-nos da dimensão anteriormente personificada, quase em exclusivo, pelos treinadores desportivos. Motivar, fazer acreditar e atribuir sentido ao desempenho das tarefas profissionais, foram algumas das valências que ganharam nova vida dentro das organizações. Isto porque “para vencer não basta ter os melhores jogadores”, como defende Jack Welch – o “gestor do século XX” que transformou a General Electric num dos maiores colossos empresariais - , é preciso saber colocá-los ao serviço do colectivo.

 

No desporto, como nos negócios, o líder deve ser um gestor de oportunidades e expectativas, sendo capaz de escolher os momentos certos para desafiar as pessoas que consigo trabalham. No desporto, como nos negócios, as equipas vencedoras são aquelas que conseguem derrubar os limites, superando-se. No desporto, como nos negócios, um bom planeamento é o primeiro passo para o êxito.

 

 Digo hoje, sem qualquer excesso de vaidade, que o rugby tem dado o exemplo. Esta selecção tem feito aquilo que os sucessivos Governos têm vindo a pedir: não chorar e apresentar resultados.

Fonte: Retirado do Livro Compromisso: Nunca Desistir, de Tomaz Morais com a colaboração de Carlos Mendonça.
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