Guiar e não conduzir...

Na janela internacional de Novembro a Nova Zelândia venceu a Inglaterra por escassos três pontos e deixou um sentimento de frustração nos Ingleses pela boa qualidade de jogo. Destaco também os resultados negativos dos adversários regulares de Portugal, Geórgia e Roménia em casa, frente ao Tonga e EUA. Os Georgianos foram superados e nem sequer um ensaio conseguiram marcar... os Romenos praticaram novamente um rugby fechado à volta dos avançados, o que facilitou a vida à equipa americana que, mesmo sem as suas peças chave a atuar em Inglaterra, apresentou um sistema aberto apoiado na velocidade e explosão dos seus jogadores. Na Irlanda assistimos ao melhor jogo do fim de semana com o fighting spirit dos jogadores da casa ao rubro, apoiados por uma abordagem estratégica inovadora do seu treinador, Joe Schmidt, tantona interpretação do jogo no chão, como na defesa inteligente da arma sul africana – o maul dinâmico e na forma como souberam impor as suas cartadas ofensivas onde o número 8, Vermeulen, mostrou a sua classe e capacidade física nos momentos de colisão. Uma vitória que vem demonstrar, à semelhança do ano passado quando perderam no último segundo frente aos All Black, que esta equipa irlandesa pode ser a principal  ameaça dos candidatos ao título no próximo mundial. Este alinhamento técnico e tático irlandês, baseia-se numa forte cultura de equipa onde existe um reconhecimento informal, visível nas pequenas ações que os jogadores têm dentro e fora do campo; poder de concentração, nos momentos chave e de focalização no mais ínfimo detalhe além de uma responsabilidade individual que transmite intenção de melhoria contínua no lema que empregam ao serviço da nação “ontem foi bom mas hoje tem que ser melhor”.  O processo de liderança de guiar e não conduzir; a utilização de jogadores que analisam e interpretam, o que de bom e mau ocorre em preparação ou competição, aumenta o compromisso, a autonomia individual e do coletivo. O exemplo a retirar é de que o treinador não deve chamar a si todo o trabalho de desenvolvimento na correção da performance dos jogadores mas partilhar a liderança diária com todos os elementos que o rodeiam e potenciando assim a sua voz!

Data: 14.11.14
Partilhar »