Em ruptura

É impossível ficar indiferente ao enredo criado pelo Sporting, na figura do presidente e da constante intervenção em áreas da gestão desportiva diária da equipa, pelo risco que corre em criar uma ruptura definitiva com um treinador de valor. Por mais profissional que seja a modalidade há regras, princípios e valores inerentes à vida em equipa que devem ser inquebráveis. O alto rendimento não vive do significado imediato da vitória ou derrota, já que não se ganha só porque se quer nem se perde só porque se é incapaz! Ganha-se porque se constrói um processo de proficiência humana consistente e uma superior gestão de recursos. A falta de percepção dos limites individuais de alguns influenciam diretamente o equilíbrio emocional de todos, gerando pressões e tensões (criadas de fora para dentro) de quem quer ganhar muito mas não sabe como fazê-lo, criando insatisfação, conflitualidade, estados de alma nada abonatórios em quem vive do detalhe da performance desportiva. As dinâmicas criadas no dia a dia de trabalho, quer em treino quer em competição, são próprias da equipa e não devem ser divididas com quem não treina ou joga. Acredito que o líder do balneário deve ser o treinador, escolhido e assumido pelo presidente. Respeitar, apoiar e criar condições ao treinador, jogador e todos os que orientam a equipa para a consistência que leva à obtenção de resultados é a missão principal do dirigente desportivo. Por isso, mesmo que  discorde das opções estratégicas, técnico/táticas ou simplesmente do discurso público o dirigente não deve, debaixo de holofotes, pôr em causa uma filosofia sem uma razão convincente. O desporto em Portugal melhorará quando a formação for contínua e desafiante, não só para os treinadores mas principalmente para quem têm por objetivo dirigir política e administrativamente equipas de alto rendimento. Qualquer equipa funciona harmoniosamente quando não se transpõem os limites da função de cada um e se compreende que um jogador joga; um treinador treina e conduz a equipa e um presidente lidera a estrutura na sua transversalidade. Não consegui, até hoje, perceber a vantagem da presença de um presidente no balneário ou demasiado próximo do jogo. Dar espaço é uma regra de ouro para se poder exigir resultados de performance!

Data: 26.12.14
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