Gesto de coragem

Aplaudo a iniciativa da federação portuguesa de futebol ao não ter medo de inovar na implementação de uma medida tecnológica que irá por certo reduzir o erro nas arbitragens e o ruído das criticas negativas e destrutivas aos árbitros. Engana-se quem pensa de uma forma cem por cento purista ao considerar que esta ferramenta vai resolver todos os problemas que têm assolado o futebol português. Infelizmente a falta de cultura desportiva associada à ausência de desportivismo, desrespeito por tudo e um clubismo atros não se eliminam sem que haja um trabalho profundo e cirúrgico na educação desportiva. Pego no rugby como exemplo que felizmente por adotar esta metodologia, nas principais provas internacionais e em alguns campeonatos nacionais, viu salvaguardada a defesa da verdade desportiva em inúmeros casos de complexa decisão se estivesse unicamente entregue à capacidade de visualização de um só árbitro. Houveram também situações em que os erros, mesmo com apoio do vídeo árbitro, surgiram e desvirtuaram o vencedor... um jogo desportivo assente no gesto humano e em ações técnicas será sempre passivo de dúvidas e polémicas devido à diferentes interpretações que proporciona. A arbitragem nunca será uma ciência exata! As breves interrupções provocadas pela análise do vídeo árbitro podem também ser aproveitadas para uma interpretação didática e pedagógica, se for permitido ao público ouvir as explicações dadas pelo árbitro... Parece muito à frente mas não é, estou apenas a aclamar a transparência que o desporto deve promover integralmente e que por necessidade corruptiva está a ser abolida. Existem muitas variáveis a interferir na visão do árbitro, jogadores em movimento, posicionamentos momentâneos, o stress causado pelo permanente assédio pejorativo de que são vítimas aquando da sua nomeação, entre outros. Proteger o rigor e seriedade do ajuizamento é uma obrigação primordial da entidade que gere a modalidade, a tecnologia até pode não resolver tudo mas pode ajudar, para isso os agentes desportivos e os adeptos terão que a aceitar e acreditar que esta mudança mais do que uma simples adesão tecnológica é um passo em frente na mudança postural que o futebol tanto precisa!

Data: 06.05.17
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