Apenas prática desportiva

Atualmente assistimos a uma degradação dos valores desportivos bem patente nas cenas de violência física e verbal realizadas por profissionais, ídolos da classe infanto–juvenil, ou até mesmo pais que deveriam ser simplesmente os melhores exemplos da fundamentação do desporto que praticam. “O carácter não é um dom, é uma vitória” (Igor Griffith) e a imagem que eles passam ao quererem jogar da bancada, gritando e pressionando como se não houvesse amanhã, retira todo o prazer da descoberta do desporto e a alegria da sua prática... um jogo é simplesmente um jogo e não uma situação de vida ou de morte. As claques ao entoarem cânticos ofensivos desprovidos de bom senso, como foi o caso da infeliz analogia criada esta semana num jogo de Andebol sobre o trágico acidente que vitimou a equipa brasileira da Chapecoense e o Sport Lisboa e Benfica, com agressividade excessiva é uma falta de respeito intolerável e dá uma péssima imagem do nosso país. Que falta de juízo! Este tipo de erros associados à deterioração dos valores e comportamentos dos agentes desportivos, que infelizmente caraterizam o exemplo desportivo atual, não podem ser aceites com naturalidade, nem se quer ser tratada com a tradicional irresponsabilidade portuguesa de chutar para o canto... Lamentavelmente, para a maioria dos que participam na vida desportiva associativa a vitória continua a ser a principal motivação e acha-se que vale tudo para a atingir! A violência verbal e física são hoje considerados gestos técnicos, tal é a tolerância e frequência com que as utilizam, é preciso veemente combater este estado de alma para não permitir que estas ações se normalizem. Há que inverter o sentido e tornar a formação de indivíduos mais importante do que a glória de ganhar a todo o custo. Precisamos de passar a mensagem certa, no nosso processo continuo de preparação e competição, e fazer prosperar a liderança ética. O comportamento humano deverá alimentar-se de bons hábitos, do ponto de vista ético uma mudança não é capaz de acontecer baseada em momentos formativos pontuais, é preciso trabalhar a longo prazo, com paciência e perseverança para mudar as mentalidades vigentes e formar carácter. De verdade, se nada se fizer, os culpados seremos todos nós! 

Data: 15.04.17
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