Líderes Invisíveis

A importância que atribuo aos “líderes invisíveis” decorre do facto de não acreditar em comandantes solitários. Aqueles que pensam que conseguem liderar uma equipa sozinhos, que a sua autoridade significa tudo, poderão estar a fugir às reais necessidades de uma equipa desportiva. No desporto os grandes líderes precisam de pessoas com pouca visibilidade externa, mas que internamente são uns verdadeiros “mouros de trabalho”. Pessoas com grande espírito altruísta que aceitam ser o “braço-direito”, valorizando sempre a enorme amizade, respeito, confiança e confidencialidade que os une. Dentro das equipas existem forças positivas de liderança que exercem influência a diferentes níveis sobre os outros elementos. Quem comanda equipas deve fazer aparecer o seu “braço-direito”, porque é saudável que os colaboradores vejam outras caras associadas à liderança, ouçam novas vozes de comandoe percebam que naquela estrutura existe uma lógica de delegação de competências. Muitas vezes há informação e transmissão de competências que quando são feitas directa e sistematicamente pelo líder, causam inibição e não permitem que se consiga atingir os objectivos propostos. Só é possível tirar o máximo partido de um “líder invisível” se ajudarmos à sua construção. Ou seja, se lhe dermos autonomia, se fizermos um esforço para envolvê-lo nas tomadas de decisão e, finalmente, se lhe pedirmos responsabilidades. Se pedimos às pessoas que sejam capazes de trabalhar em equipa, temos que lhes mostrar que também nós estamos dispostos a delegar competências e a descentralizar decisões. Delego para comprometer os jogadores com um projecto que se quer comum, reforçando os laços entre o indivíduo e o grupo, no entanto, tenho consciência que delegar em quem não está preparado, ou não tem determinadas características pessoais, pode degenerar em sentimentos de “impotência” e consequente “frustração”. Dentro da própria equipa de liderança, ao darmos oportunidade a diversos especialistas, promovemos, potenciamos e optimizamos um verdadeiro trabalho em equipa, criamos uma enorme coesão dentro do grupo de trabalho e retirarmos o maior rendimento de todos os elementos, ao ponto de muitas vezes sermos apelidados de um grande família ou mesmo ouvir: “...que mística, que atitude tem aquela equipa...”

A sensibilidade para saber ouvir torna os líderes invisíveis uns dos principais motivadores, consultores e conselheiros internos não só do líder mas acima de tudo, dos próprios jogadores ou outros elementos da estrutura. Uma equipa não deve nem consegue viver sem eles! A todos os níveis sente-se a grandiosidade da liderança da nossa selecção de Futebol, onde sistematicamente nos é dado a perceber a força e a sabedoria do líder principal nestas matérias. Hoje Portugal procura a 3ª vitória, perante uma equipa Suiça que não é fácil mas pode-se tornar acessível, caso a selecção jogue ao nível que fez nos dois primeiros jogos. Será um momento extremamente importante para voltarmos a focar as nossas atenções no rendimento colectivo e não na saída do seleccionador ou nas eventuais contratações dos jogadores Portugueses. Agora, como afirmou Deco no final do Jogo com a República Checa, o que interessa é “ganhar o Europeu “.

Data: 14.06.08
Fonte: O Jogo
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